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Ensino

Novos tempos de ensino e aprendizagem

Profissionais destacam os desafios que professores enfrentam diante da nova geração de estudantes

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Dia do Professor é comemorado neste sábado (15)
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Por Najaska Martins - najaska@jornalbomdia.com.br
Foto Divulgação

Profissionais destacam os desafios que professores enfrentam diante da nova geração de estudantes

Neste sábado (15) comemora-se o Dia do Professor. A data, além de homenagear os profissionais, pode ser vista também como momento de reflexões acerca dos desafios que os profissionais se deparam diante da nova geração de estudantes e, também, da (des)valorização profissional.

Para a professora Adriana Loss, coordenadora do curso de Pedagogia da UFFS, a realidade vivida hoje pela profissão perpassa pela reflexão sobre o fato de serem “novos tempos para pensar o aprender e o ensinar. “Hoje temos nas salas de aula uma geração totalmente diferente em razão de vivermos um novo contexto. São tempos de tecnologias em alta, logo, trata-se de uma geração super estimulada, que requer um professor que entenda que seu jeito de aprender não é o mesmo, que use novos estímulos e ferramentas, que repense a maneira de ensinar”, pontua.

Essa nova realidade dos estudantes também é comentada pela pedagoga e mestre em Educação, Anelise Brod, que atua como professora na URI, coordenadora do Pibid e assessora pedagógica da pró-reitoria de ensino da instituição. Para ela isto é “fato determinante para moldar novas características no perfil do aluno e exigir, da escola e do professor, atualização constante, isto é, uma formação continuada”.

Com este novo contexto, ambas pontuam acerca da formação dos novos profissionais. Anelise destaca a necessidade de formação inicial e continuada, salientando conhecimentos teórico-práticos a respeito da docência como ação educativa e como processo pedagógico intencional e metódico. Ela afirma ainda que esta “formação envolve conhecimentos específicos, interdisciplinares e pedagógicos, conceitos, princípios e objetivos da formação que se desenvolvem na construção e apropriação dos valores éticos, linguísticos, estéticos e políticos do conhecimento inerentes à sólida formação científica e cultural do ensinar/aprender, à socialização e construção de conhecimentos e sua inovação, em diálogo constante entre diferentes visões de mundo”.

Já Adriana chama atenção para emergência de o professor ser capaz de produzir conhecimento e não apenas reproduzí-lo. “Para termos resultados efetivos é fundamental que o professor possa pesquisar, se atualizar, produzir o próprio conhecimento sobre a sua prática pedagógica e não apenas se limitar a seguir cartilhas que dizem o que fazer ou não. Isto deve começar ainda na faculdade que deve promover a reflexão teórica, seguida da prática para então haver uma nova reflexão teórica”, argumenta, destacando especialmente a necessidade de maior inserção dos alunos de licenciaturas nas salas de aulas durante a formação.

Desafio de inovar e a real função da escola

Entre os principais desafios dos professores diante do novo contexto, ambas reforçam a premissa de inovar para atender as demandas da nova geração de alunos. Para isso, Anelise cita o alcance de duas etapas: “a primeira é conquistar a atenção e o interesse do aluno e, a segunda, é deslocar esse interesse para o aprendizado do conteúdo. É preciso tornar a sala de aula atraente para que esse aluno motive-se para o estudo e consequentemente para o aprender. O aprender que leva para a construção do conhecimento, imprescindível na formação das novas gerações. Então, para que este processo ocorra, torna-se necessário, repensar a utilização da didática em sala de aula, isto é, repensar as metodologias de trabalho adequando-as para este contexto em que vivemos”, afirma.

Já Adriana elenca como desafio o que chama de “realidade complexa” encontrada pelo jovem professor especificamente na rede pública. “Ele [o professor recém formado] vai se deparar com os problemas sociais e econômicos da sociedade que afetam diretamente a escola, seja pela falta de infraestrutura, pelo falta de uma proposta pedagógica adequada ou, ainda, pelas inúmeras atribuições que são impostas à escolas e que acabam secundarizando seu principal objetivo, que é ensinar”, pontua citando como exemplo o assistencialismo social e moral.

Valorização profissional

Questionada sobre a valorização profissional, Anelise enfatiza sua relação com a qualidade do ensino. “A valorização do professor remete à melhoria da qualidade da educação brasileira. Implica, portanto, em aprimorar a formação inicial e continuada dos professores. Implica também na melhoria das condições de trabalho dos professores e remuneração salarial adequada”.

Já Adriana pontua a importância do reconhecimento e da valorização do profissional. “Infelizmente em nosso Estado já é histórica a desvalorização profissional, a começar pelos salários dos professores. “Como pode um professor oferecer educação de qualidade sem que ele seja estimulado? Esse estímulo passa também pela valorização salarial”, pondera, citando também as condições em que se encontram as instituições de ensino no que se refere à disponibilidade de ferramentas de ensino e infraestrutura. 

Adriana Loss

Anelise Brod

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