Com a proximidade do pagamento da primeira parcela do 13° Salário aos empregados, muitos consumidores já planejam antecipar as compras deste fim de ano. Tal comportamento gera otimismo para o comércio que projeta um crescimento nas vendas. Do mesmo modo, lideranças ressaltam que o cenário econômico está apresentando melhorias gradativas que refletem em mais segurança para comerciantes e consumidores.
Sobre tais efeitos, o presidente da Associação Comercial Cultural e Industrial de Erechim (Accie), Claudionor Mores, reforça que a expectativa enquanto entidade, é a confiança no consumidor que, segundo ele, já deve estar percebendo um equilíbrio na economia.
Mores salienta que, mesmo com o cuidado financeiro que a economia exige, além da prudência é importante que os consumidores não deixem de comprar para satisfazer suas necessidades e contribuir para o crescimento do comércio e a geração de emprego.
Nesse contexto, o presidente da Accie, lembra que, especificamente para Erechim, algumas demissões promovidas pela indústria estão gerando insegurança no consumo, contudo, a entidade acredita na recuperação das próprias empresas, assim como na possibilidade de outras absorverem esses trabalhadores. "A economia parou de cair, há uma retomada e esperamos que tenha um crescimento de pelo menos 5% nas vendas entre os meses de novembro e dezembro", pontua.
Mores enfatiza que os comerciantes tem se preparado com o intuito de melhor atender às demandas dos consumidores e por isso, a orientação é que as pessoas se antecipem nas compras de fim de ano.
Comércio preparado
O comércio aposta que, com os indicadores favoráveis para o fim da recessão, os consumidores tendem a ampliar as compras. Por isso, decide reforçar os estoques. A afirmação é da presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas CDL de Erechim, Lindanir Canelo, que afirma que com a confiança dos consumidores em alta, os varejistas já estão se preparando para o Natal. "Para eles, a data comemorativa - a principal em termos de vendas - deverá render ganhos melhores em comparação a 2015, quando a recessão se alastrou. No início de setembro do ano passado, os comerciantes nem pensavam nas encomendas à indústria. Agora, a ordem é reforçar os estoques. É claro que o varejo não terá uma retomada forte, mas deverá registrar um crescimento pequeno, o que será um ganho e tanto depois de um período tão longo de retração nas vendas", destaca, citando que as empresas também estão conseguindo projetar um Natal sabendo que o consumidor terá uma renda menor disponível.
A previsão é que o gasto médio do presente de Natal fique entre R$ 100 e R$ 125. Ainda assim, mais da metade dos entrevistados disseram ter a expectativa de ganhar presentes neste Natal. Os itens mais desejados são roupas, calçados, perfumes e cosméticos, acessórios, como bolsas, cintos e bijuterias, celulares e livros.
A gerente de uma loja de vestuário de Erechim, Juceli Sfredo, reiterou que a empresa e colaboradores estão preparados para atender aos diferentes públicos. Além disso, a gerente aposta na variedade de produtos, preços acessíveis e condições facilitadas de pagamento. "Vislumbramos uma fase mais otimista e estamos confiantes com as vendas neste fim de ano", acrescenta.
A cozinheira Sônia Francio (38), aproveitou a última terça-feira para fazer compras. Segundo ela, o 13º salário irá auxiliar na aquisição de presentes neste Natal. "É só procurarmos os preços mais atrativos, o que não vale é ficar sem uma lembrancinha", disse.
Reação
Um dos setores que mais sentiram as consequências da crise no Brasil foi o comércio. Os últimos dois anos foram turbulentos para a macroeconomia e as vendas do varejo tiveram queda acentuada. Em junho, levantamento da Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Estado (FCDL-RS) apontou para 21 a queda consecutiva nas vendas do comércio gaúcho, o que demonstrava a diminuição da capacidade de compra do consumidor, que se refletiu também em demissões em todo o setor.
A expectativa das entidades ligadas ao comércio é que as vendas de final de ano, principalmente, o Natal, impulsionem o setor e gerem novas contratações já a partir deste mês de novembro.
As vendas de Natal devem superar outras datas comemorativas do ano, mais um motivo para destacar a importância da capacitação profissional.
O incremento nas vendas do final de ano é a aposta da CDL de Erechim. "Temos a percepção que 2017 ainda não será um ano glorioso, mas com certeza será muito melhor que 2016.
O comércio é o último a sentir os reflexos da crise, mas também é o último a sentir a retomada do mercado. O que ocorre agora é que todo mundo está diante de uma expectativa nova", avalia Lindanir.
Contra a inadimplência
A CDL promove uma campanha - Liquida Contas - que acontece de 1º a 11 de novembro. Conforme a entidade, os interessados devem procurar as lojas identificadas com o cartaz (nas quais esteja inadimplente). É uma oportunidade para limpar o nome e recuperar o crédito.