Agentes do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) da Polícia Civil de Porto Alegre, órgão responsável pela investigação do ataque agência bancaria de Erval Grande e também da morte do brigadiano, João Marcelo Borges Desidério (43), devem embarcar nesta segunda-feira (7) para Curitiba/PR, local onde devem interrogar os criminosos presos na última semana, suspeitos de participarem do ataque a banco que ocorreu na madrugada do dia 29 de outubro e que encerrou com a morte do policial.
Segundo o delegado Joel Wagner, os investigadores devem também comparar a munição e o armamento apreendido com o trio criminoso no Paraná, com os estojos que foram recolhidos em Erval Grande. “Já constatamos que parte da munição apreendida pertencia ao 13° Batalhão da Brigada Militar (13 BPM) de Erechim, região responsável por Erval Grande, por isso nossas suspeitas são fortes”, destacou o delegado.
Os policiais civis devem também analisar as duas pistolas apreendidas com os assaltantes que tinham numeração raspada e que são idênticas as levadas pelos criminosos dos policiais em Erval Grande. “Elas devem passar por exames químicos, metalográficos e balístico que serão realizados no âmbito da perícia do material apreendido, para termos esta certeza” o delegado do Deic.
A tese apresentada pelo Deic vem ao encontro da fala do comandante do 13° Batalhão da Brigada Militar (13°BPM) de Erechim, Eliel de Souza Roque, que durante uma entrevista coletiva no início da última semana, destacou que quadrilha que assaltou o banco e matou o brigadiano seria do estado do Paraná. “ Isso por que o veículo que tinha quase todos os chassis raspados, era furtado em Curitiba, por isso este grupo deve ser de outro estado”, comentou comandante.
Segundo o Deic, as investigações do caso seguem ocorrendo e a possibilidade de participação de criminosos gaúchos no bando não está descartada. “ Eles não tinham grupo fixo nos ataques em cada lugar algumas pessoas na quadrilha mudavam, por isso as investigações prosseguem”, finalizou o delegado.
Prisões
Segundo o delegado-titular do Centro de Operações Policiais Especiais (Cope) da Polícia Civil do Paraná, Rodrigo Brown, o trio de “caixeiros”, - termo utilizado para assaltantes de banco - foi detido em uma operação conjunta do Cope com Polícia Rodoviária Federal, que abordou uma caminhonete Toyota Rallys, utilizada pelo bando, no interior do município de São Luiz do Purunã.
Na parte interna do veículo foram encontrados três fuzis e 300 cartuchos de munição; cinco pistolas; seis coletes balísticos; carregadores; 12 toucas ninjas; oito quilos de explosivos; 37 espoletas; miguelitos; mais de dez pares de luvas; celulares; radiocomunicadores; dinheiro; cinco lanternas; documentos falsos; cerca de 20 quilos de drogas, entre outros materiais . “ Acreditamos que com este arsenal, eles iriam fazer um novo ataque a outra agência no interior do estado do Paraná”, ressaltou Brown.
Conforme o secretário estadual de Segurança Pública do Paraná, Wagner Mesquita, os presos faziam parte da “Gangue do Dinamite”, organização criminosa especializada em ataques a bancos nos três estados do sul do país e também em Goiás. “ Foi um trabalho brilhante do setor de investigação do Cope, que monitorava os criminosos por uma tornozeleira eletrônica, utilizada pelo chefe do grupo, também preso na ação. Acreditamos que mais de dez assaltantes iriam participar, neste ataque que eles estavam indo”, destacou o secretário.
Na ação foram presos Ademir Martins (38), Lucas Huco (33) e Ricardo Mariano (40), vulgo “Secco”, considerado líder da quadrilha e um dos maiores assaltantes de banco do país, ele vinha sendo monitorado pela polícia, desde que foi solto no ano passado. Os envolvidos devem ser indiciados pela polícia por formação de quadrilha, posse e porte ilegal de arma e munição de uso restrito, posse de explosivos, tráfico de drogas, receptação de veículos e adulteração de sinal identificador de veículo
Todos os suspeitos responderão pelos crimes de formação de quadrilha, posse e porte ilegal de arma e munição de uso restrito, posse de explosivos, tráfico de drogas, receptação de veículos e adulteração de sinal identificador de veículo. Martins também responderá pelo delito de uso de documento falso. Os suspeitos permanecem presos à disposição do Poder Judiciário.