Nos livros de registros de entrada de imigrantes correspondente aos anos de 1911 a 1914 se encontra o registro de imigrantes de nacionalidade alemã, austríaca, polonesa, russa, italiana, portuguesa, sueca, holandesa e até dois japoneses. A diversidade étnica não foi problema para a administração da Colônia. As reclamações e queixas apresentadas pelos imigrantes são consideradas normais por Severiano de Souza e Almeida.
Salienta o Chefe da Comissão que, apesar de um grande número de imigrantes terem vindo sem família e, portanto, com direito apenas à concessão de terras a prazo e algum trabalho, foram por benevolência desta chefia, contemplados com vales por adiantamento, o que comprova a atenção dispensada aos que se dirigiam a esta Colônia.
O rápido desenvolvimento da Colônia Erechim é destacado por Jean Roche, que afirma que a mesma bateu todos os recordes da rapidez do desenvolvimento. Erechim “ficará, pelo menos, como um dos exemplos mais significativos de impulso demográfico que se deve à colonização. É verdade que esta se realizou ao longo da via férrea Santa Maria – São Paulo, o que lhe permitiu escoar imediatamente os produtos agrícolas com facilidade excepcional na história das Colônias rio-grandenses”. A seguir as etnias em maior número na colonização de Erechim.
Poloneses
No livro Ducati Neto explica que depois dos caboclos, os primeiros imigrantes em Erechim – então Distrito de Passo Fundo – foram os imigrantes poloneses. Aqueles que se estabeleceram no Povoado Floresta, conforme o autor, organizaram no ano de 1912 a primeira cooperativa agrícola, uma das primeiras a funcionar no Estado. Esta foi impulsionada por Antonina Malinowski e Estanislau Malinowski.
Hoje seus descendentes comemoram através de danças, cantos, da culinária e do resgate do idioma. Existem grupos e entidades em Erechim que promovem a cultura polonesa, não apenas dos descendentes de poloneses, mas de todos aqueles que reconhecem o valor daqueles que ajudaram a construir Erechim.
Italianos
Em 1926 Erechim tinha, conforme o site da prefeitura municipal, cerca de 90% de seus habitantes descendentes de italianos, tanto na cidade como no interior. Muitos vieram diretamente da Itália, especialmente da Região de Vêneto. As Terras Velhas, hoje municípios de Caxias do Sul, Bento Gonçalves e Antônio Prado contribuíram grandemente na imigração italiana em solo local.
As primeiras famílias chegaram por volta de 1910 através da Ferrovia. Entre os pioneiros, nomes como Antenor Pedrollo, Paulo e Elisa Vacchi, Eugênio Isoton, Pedro Longo, José Bonaldo, Bortolo Balvedi, João Massignan, Júlio Trombini, João Carlone e Attilio Assoni – que instalou o primeiro engenho de serra e a primeira casa de alvenaria. Os imigrantes italianos, ao longo de várias décadas foram modificando a fisionomia social da região com seus valores espirituais, culturais e materiais. É importante ressaltar que a maioria dos imigrantes vinha em busca de uma vida melhor para si e para seus filhos. A marca da etnia italiana é muito forte na cidade e no interior nas áreas econômica, política, social, cultural, religiosa e artística.
Alemães
Em 1912, chegavam à colônia de Erechim os primeiros imigrantes alemães. Alguns se estabeleceram em Paiol Grande, entre eles, Henrique Hagers – que trabalhou na estrada de ferro, e Augusto Stefanus, o primeiro alfaiate de Erechim. O maior núcleo de colonização alemã na Região do Alto Uruguai encontra-se em Aratiba e Três Arroios. Os alemães tiveram grande destaque no comércio, através dos chamados caixeiros viajantes – hoje, os representantes comerciais – que vendiam mercadorias no interior. Na área cultural, os alemães legaram o primeiro Cinema Mudo de Erechim e o Centro Cultural 25 de Julho. Foram pioneiros na música, sendo nomes de destaque Ricardo Kreische, Oswaldo Engel e o maestro Frederico Schubert.
Israelitas
Os primeiros colonos judeus vieram instalar-se em Quatro Irmãos através da empresa Jewish Colonization Association (ICA) – entidade filantrópica com o objetivo de auxiliar os judeus que quisessem emigrar de países onde foram perseguidos ou economicamente oprimidos. Cada família recebia, além da colônia, casa de moradia e galpão, 4 mil metros de arame farpado, 14 vacas, 4 bois, um touro, 2 cavalos, uma carroça e instrumentos de cultivo de terra. Os colonizadores dedicaram-se principalmente ao cultivo de trigo, milho, mandioca, à criação de gado bovino e à produção de laticínios. Instalaram aos poucos uma sinagoga, escola, matadouro e um hospital.
Desde 1920, reuniam-se para comemorar as festas religiosas. Em 1934 fundaram a Sociedade Cultural Beneficente Israelita. Atualmente, Erechim se constitui em uma das maiores comunidades israelitas do RS.
Os nativos
Segundo estudos realizados pela Eletrosul, o território que constitui hoje a vasta região do Alto Uruguai já era habitada pelo homem há pelo menos 10 mil anos. Nos últimos três séculos, a região foi habitada pelo grupo Caigangue que, inicialmente, vivia em estado de isolamento e contato intermitente com o bandeirante português. No Século XIX, a ação missionária atuava no trabalho de catequese nos aldeamentos. No Século XX, os indígenas já estavam bastante aculturados pela ação dos colonizadores do século anterior.
Negros
Importante lembrar que a região de Erechim (antiga Colônia Erechim) pertencia a Passo Fundo até o início do século XX. A história mostra que houveram escravos em Passo Fundo e muitos destes e seus descendentes fugiram para o Alto Uruguai. Quando chegaram os primeiros imigrantes brancos, por volta de 1910, os mesmos relataram que avistaram a presença de várias famílias negras na localidade de Dourado, município de Erechim. Portanto, a presença de negros em Erechim é ainda anterior à vinda dos imigrantes europeus, ou mesmo dos imigrantes das Terras Velhas. A Sociedade 13 de Maio, no início, foi uma entidade exclusiva para negros. Os bailes eram mensais ou quinzenais, com pessoas elegantemente vestidas, e muita música ao vivo para animar os participantes. Não existem dados referentes ao número de negros que teriam vindo antes ou depois da colonização oficial.