O uso das tecnologias em sala de aula está crescendo expressivamente, acompanhando sua presença no cotidiano dos estudantes. Para que seu alcance seja satisfatório aos processos de ensino e aprendizagem, é necessário, além de estrutura equipada, formação de professores.
Contudo, a realidade nacional mostra ausências no amparo institucional para a capacitação dos educadores. De acordo com a Agência Brasil, uma pesquisa promovida pelo TIC Educação, do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), indica que 92% dos professores de escolas públicas e 86% de escolas particulares buscam, por conta própria, se informar sobre novos recursos que podem usar no ensino e sobre inovações tecnológicas.
Por outro lado, o cenário na região Alto Uruguai é positivo. A 15ª Coordenadoria Regional de Educação (CRE) aplica formações em tecnologias para professores do ensino fundamental e médio. Neste ano, o projeto se concentrou com as escolas que compõem o projeto-piloto de implementação do Programa Novo Ensino Médio e Referencial Curricular Gaúcho (RCG).
Conforme Loiva Centenario, do setor de Informática da 15ª CRE, a iniciativa é disseminar cada vez mais a tecnologia como uma ferramenta pedagógica. "Nós trabalhamos com robótica mas em um espaço bem diversificado e mostramos que a informática pode ser aliada a muitas disciplinas e desenvolve habilidades nos estudantes, tais como a dança, o desenho e a música", pontuou em entrevista ao Jornal Bom dia.
O objetivo é tornar esses professores, que participaram da capacitação, multiplicadores do conhecimento adquirido. "Uma das transversalidades do Novo Ensino Médio é a tecnologia, então, neste primeiro momento, focamos nessas escolas que estão participando do projeto-piloto para que possam ser professores multiplicadores desse saber", complementou Loiva. O projeto contempla 10 escolas da região de abrangência do Alto Uruguai.
A ação que foi desenvolvida em parceria com a Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS) - campus Erechim, é avaliada como positiva. "Estamos tentando despertar o gosto pela robótica e esperamos que esses momentos se intensifiquem. Ao final da formação, os professores sugeriram que fossem promovidos novos encontros e estamos organizando para o segundo semestre", concluiu Loiva.
A professora de Geografia da Escola Estadual de Ensino Médio Herval Grande, Terezinha Zanoni participou do curso organizado pela 15ª CRE e em entrevista ao Bom Dia, destaca a necessidade de utilizar as tecnologias na aprendizagem. "A formação foi excelente, considerando que oportunizou uma visão geral da robótica e de como trabalhar seus conteúdos em sala de aula", contou.
No entanto, a educadora ressalta que a efetivação do ensino da informática ainda demanda estrutura de equipamentos. "Depois do curso nós realizamos um projeto com os estudantes do ensino médio, mas a ação foi apenas teórica já que não temos acesso aos equipamentos", acrescentou.
A alternativa está sendo reutilizar materiais pré-existentes para construir robôs. "Nós apresentamos o que é a inteligência artificial e realizamos atividades de pesquisa e produção de textos. Por fim, os estudantes deveriam desenvolver um robô com peças disponíveis na escola ou em suas casas", pontuou Terezinha.
A instituição de ensino já está se preparando para ampliar o projeto. "O grêmio estudantil realiza ações para arrecadar recursos, bem como, a escola busca parcerias para que assim possamos adquirir os equipamentos", concluiu.
Escolas municipais participam do Proinfo
De acordo com o diretor de informática educativa da Secretaria Municipal de Educação de Erechim, Neumar Cardoso, os professores da rede municipal de ensino também contam com suporte institucional para a formação em tecnologia, que por meio do Núcleo de Tecnologia Educacional Municipal (NTM), já ministrou formações aos educadores, alunos e funcionários. "Especificamente para os professores nós trabalhamos com o Programa Nacional de Tecnologia Educacional (ProInfo), uma plataforma do governo federal com quatro módulos de aulas que são desenvolvidas ao longo do ano letivo. Esses cursos têm oficinas temáticas voltadas às áreas de tecnologia, para mostrar possibilidades de inclusão da informática em sala de aula", relatou Cardoso.
Depois da formação, o segundo passo é levar esses conhecimentos para o ambiente escolar. "Os professores estão acompanhando as aulas durante todo esse ano letivo, para que em 2020 possam desenvolver essas habilidades junto aos estudantes, como atividades complementares, por meio do Programa Castelinho. Nós estamos organizando, ainda, alguns kits e materiais para que as aulas em robótica sejam ofertadas no próximo ano", complementou. A capacitação disponibilizada pelo Ministério da Educação (MEC) é à distância, mas a Secretaria organiza um encontro por módulo para explicar todas as dúvidas que surgiram com a capacitação on-line.