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Ensino

A informalidade como alternativa à busca de um sonho

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Lisbela faz bordados desde 2017 para complementar a renda familiar
Fernanda produz sabonetes artesanais como forma de expressão
Helena apostou na venda de trufas
Por Amanda Mendes
Foto Divulgação

O desejo de complementar a renda mensal, desenvolver habilidades manuais para melhorar a dimensão psicológica e viabilizar a rotina do ensino superior motivaram Lisbela, Helena e Fernanda* de Erechim, a trabalharem por conta própria. Conforme dados divulgados em julho pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio - Contínua (Pnad Continua), no país 24,1 milhões de pessoas estão na informalidade. 
Lisbela é estudante de licenciatura em Filosofia na Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS) - campus Erechim e produz bordados desde 2017 e comentou à reportagem do Jornal Bom Dia que a ideia surgiu após o nascimento de seu filho. "Estava no meu período de puerpério e buscava por algo que pudesse fazer em casa, para cuidar e ficar mais próximo dele. Sempre achei as atividades manuais e artesãs mais atrativas para mim, por exemplo o crochê, então comecei a buscar alternativas. Há pouco mais de dois anos conheci um canal no Youtube (site da internet) que se chama "Clube do Bordado" e lá fui aprendendo muitas coisas, desde quais pontos fazer até os materiais que devo utilizar", citou. 
Para a estudante, inicialmente o bordado era encarado como um passatempo. "Fazia para me desestressar e controlar a ansiedade. Depois de um tempo e de muitos aprendizados, comecei a vender. Contudo, eu ainda me sinto iniciante e sempre deixo claro às pessoas que estou começando, passando por processos de aprendizagens e que talvez não fique como ela deseja. Assim, não me classifico como profissional", complementou. 
Essa sensação de Lisbela atua diretamente no valor que ela cobra pelo seu trabalho. "Eu não costumo cobrar o mesmo valor que outras artesãs, pois ainda me considero iniciante, por isso os valores que cobro são muito simbólicos, só para custear o material, um pouco do tempo e da mão de obra que aplico nessa atividade. E o retorno é utilizado basicamente nas despesas mensais, bem como, para custear materiais da faculdade, vale-transporte e os vales do Restaurante Universitário.  Sobretudo, foi uma oportunidade de viabilizar minha rotina entre a universidade, a maternidade e o trabalho", pontuou. 
O que era um passatempo começou a tomar outras proporções, motivando a estudante divulgar seu trabalho para receber mais encomendas. "Há uns meses meus amigos deram a ideia de criar um perfil nas redes sociais e fiz o @entrefiosbordados no Instagram, porque lá o contato com as pessoas é mais simplificado e elas podem me mandar sugestões de bordados que queiram. No entanto, ainda não vejo essa atividade como algo que me deixa estável financeiramente, mas estou aprendendo cada vez mais, treinando, para poder viabilizar essa profissão em minha vida", concluiu. 
A história de Helena é semelhante, mas em seu caso, o gosto é pela gastronomia, em especial os doces. Cursando o oitavo semestre de Direito na Universidade Regional Integrada (URI), sua rotina se divide entre as aulas de manhã e à noite e com o estágio no período da tarde. Aos fins de semana, sua dedicação se volta para confecção de trufas sob encomenda. 
"Eu sempre gostei de cozinhar e principalmente de testar e experimentar receitas que envolvessem doces. A faculdade de certa forma estava consumindo meu tempo e afetando meu lado emocional. Assim, pensei em coisas para ajudar a me distrair e que mudasse um pouco o foco da minha vida", contou.
A decisão de produzir as trufas foi, principalmente, para auxiliar na renda familiar. "Minha mãe me criou basicamente sozinha, contando com a ajuda dos meus avós e de seu antigo companheiro, mas na questão financeira, sempre trabalhou muito para garantir que eu tivesse acesso à educação e saúde de qualidade. Ingressei na faculdade em 2016 e tenho parte da minha mensalidade custeada pelo Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior (Fies). Porém, no último ano nossa situação financeira ficou mais complicada e gostaria que minha mãe pudesse diminuir sua carga horária de trabalho, por isso tive a iniciativa de vender trufas, para de certa forma conseguir ajudar ela com os gastos de faculdade e de casa". E o retorno já sendo positivo. "Os ganhos com as vendas, vão basicamente em sua totalidade para coisas acadêmicas. Apesar de não ser uma renda fixa, eu estou ajudando minha mãe com os recursos da faculdade", complementou Helena. 
Já Fernanda produz sabonetes artesanais, o interesse dela foi ao encontro do interesse dos consumidores. "Percebi que as pessoas estão precisando, cada vez mais, consumir de forma consciente e entrar em contato com quem produz para saber o que estão comprando. Além da necessidade de complementar a renda da minha casa, os sabonetes artesanais são uma forma de eu me expressar, criar produtos novos e diferenciados e levar maior qualidade de vida para meus clientes. Isso tudo unificou com o fato de eu ser muito ligada a causas ambientais e ter crescido em uma família que planta flores e chás. Os sabonetes também são aromaterápicos e causam um impacto ambiental bem menos agressivo".
A erechinense conta que foi morar em Minas Gerais para estudar Tturismo na Faculdade Federal de Ouro Preto (UFOP), porém, teve que suspender os estudos e voltou à Capital da Amizade. "Portanto, as vendas dos sabonetes também se apresentam como uma oportunidade de eu voltar a estudar", concluiu.

 

*Os nomes das entrevistadas foram alterados para preservar suas imagens 

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